Financiamentos - como utilizar bem esse recurso.

Publicado em 21/07/2020 - autor: Carlos Alberto Debastiani

Você sabe exatamente o que significa o termo "Financiamento"? É algo muito utilizado hoje em dia, pela maioria dos brasileiros, mas poucos sabem realmente o que é e como funciona. Todos entendem que é uma maneira de conseguir comprar algo para o qual não se tem dinheiro, no momento, mas não são capazes de mensurar se conseguirão suportar o encargo financeiro decorrente dele. A falta de visão e de planejamento (sem contar a ânsia por realizar sonhos para os quais absolutamente não se tem dinheiro) é a razão que leva boa parte das pessoas ao endividamento.

Para jogar um pouco de luz sobre essa questão, vamos esclarecer diversos pontos ainda não muito claros, para a maioria das pessoas, sobre financiamentos, no decorrer desse artigo.

Na sua essência, um financiamento nada mais é do que um empréstimo! A diferença é que trata-se de um empréstimo com uma destinação específica. Isso significa que uma pessoa que contrai um empréstimo pode fazer o que quiser com o dinheiro, que é entregue a ela. Já no financiamento, o dinheiro não é entregue ao tomador, mas destinado diretamente à finalidade específica para a qual foi contratado.

Se você fizer um financiamento de veículo, o dinheiro irá diretamente da instituição financeira para a loja de veículos. Se for um financiamento de imóvel, irá diretamente para a construtora ou para o proprietário do imóvel. Isso garante que o dinheiro não será desviado para outros fins, mas utilizado somente para a finalidade proposta. Por ter essa natureza restritiva e específica, o financiamento normalmente utiliza como garantia o próprio bem financiado. Isso significa que se você deixar de pagar as prestações de financiamento de seu apartamento ou de seu carro, a financeira poderá tomá-lo de você.

De qualquer forma, se a instituição financeira está emprestando esse dinheiro (mesmo que seja para uma finalidade específica), ela espera ganhar algo com isso, o que significa que o valor desse empréstimo será acrescido de juros, que serão somados ao valor financiado antes de ser dividido em parcelas, que serão pagas pelo tomador. Perceba que um bem financiado sempre custará mais caro do que custaria se o comprasse à vista. Quanto mais longo for o prazo do financiamento, maior será o valor total da dívida.

Inicialmente, os financiamentos eram produtos oferecidos para empresas que precisavam antecipar recursos ainda não disponíveis para poder viabilizar a implementação de seus negócios ou a ampliação deles. Por meio dos financiamentos era possível conseguir o montante suficiente de capital para ampliar os estoques ou o parque fabril e, depois, com os lucros obtidos a partir dessa ampliação, ir pagando gradativamente o empréstimo que foi realizado. Com o tempo, esse produto financeiro passou a ser oferecido também para pessoas físicas, como forma de realizar imediatamente os seus sonhos de consumo.

Aqui é que percebemos a diferença entre as pessoas que vão se endividar com um financiamento e as que vão obter lucro com ele. Digo isso porque a maioria das pessoas não consegue entender em que situação um financiamento pode ser benéfico e em que situação ele pode se tornar uma armadilha mortal. Olham para o financiamento como uma solução mágica para comprar aquilo que desejam, mesmo sem ter o dinheiro necessário para essa aquisição. Consideram apenas se a parcela caberá em seu bolso, mensalmente, sem se preocupar com o valor total que irão pagar pelo bem financiado (normalmente muito maior do que o valor real daquele bem), nem com quanto dinheiro será drenado de sua capacidade de pagamento durante os longos meses (ou anos) que o financiamento durar.

Outro ponto que não consideram é se o bem irá proporcionar algum lucro durante o prazo de financiamento ou se vai gerar apenas mais despesa. Na verdade, esse é o ponto chave para decidir se um financiamento é realmente adequado: só devemos financiar ATIVOS, ou seja, bens que irão gerar receitas futuras que poderão contribuir para o pagamento das parcelas que virão no decorrer dos meses seguintes. Dessa forma o bem adquirido por financiamento vai "ajudar" a pagar o financiamento com os lucros que ele mesmo vai proporcionar. Muita gente financia PASSIVOS, ou seja, bens que não vão gerar receita e sim despesas. Então, ao financiar PASSIVOS você está pagando mais caro (em função dos juros embutidos) por um bem que irá depreciar ao longo do prazo de pagamento e que só vai gerar mais despesa no seu orçamento.

Sempre que pensar em contratar um financiamento, considere se o bem financiado será um ATIVO ou um PASSIVO em sua vida financeira. Se ele for um PASSIVO, não deve ser financiado, deve ser adquirido à vista, para que pese sobre o seu orçamento somente as despesas de uso e manutenção e não o custo elevado de aquisição também. Se ele for um ATIVO, você deve avaliar se a receita obtida com o uso desse bem cobre a despesa com o pagamento das parcelas do financiamento. Se não cobre, é preciso ter um excedente de caixa para cobrir a diferença, ou você estará entrando em um ciclo de endividamento.

A análise e a percepção dessa característica do bem adquirido (se é um PASSIVO ou um ATIVO) é fundamental para avaliar se o financiamento é adequado ou não. Ignorar isso é uma das principais causas de endividamento, especialmente quando as pessoas acumulam diversos financiamentos de PASSIVOS.



Esse tema, e muitos outros, são abordados no livro "Pare de Viver na Corda Bamba"







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